Exercício de escrita provocado pelo @lucasguifernandes (e Paul Auster)
Mirando o único lago da cidade, assisto a dança dos raios solares quando encontram a superfície aquática, produzindo um estouro de luzes. A natureza comemora o nascimento do dia como se fosse ano novo. Os fogos, silenciosos, são compostos pelo movimento do vento na água e do furo das luzes solares cortando o vento. É um show particular na superfície das águas.
Domingo. Assisto ao encontro ocasional do rio, do vento e do sol. Cada elemento compõe a cena com seus movimentos únicos. A água se torna uma superfície por onde o vento sopra e altera sua forma, permitindo que os raios solares furem o espaço, produzindo um espetáculo dançante. É como se a natureza estivesse silenciosamente comemorando um ano novo. Os fogos, no entanto, explodem como fagulhas solares silenciosas no canto das águas, sussurrando movimentos através da ventania que festeja seu encontro com a água cristalina.
Numa manhã de domingo, a solidão noturna das águas se encerra com a chegada dos raios solares e o toque da brisa de inverno. Reencontrando-se, em mais um dia, os três elementos fazem festa, presenteando os olhares dos passantes com um espetáculo de luz, imagem e som. É como se toda manhã fosse ano novo, uma celebração entrelaçada pela superfície aquática, do sopro que anuncia o inverno e dos furos produzidos pelos raios solares, costurando a realidade da manhã.
Numa manhã de domingo, minha solidão é invadida pela relação amorosa entre a água, o vento e o sol. As águas calmas do rio recebem o moroso vento de inverno, espaço propício para a chegada dos raios solhares, iluminando a realidade recém constituída. É um espetáculo de amor, com suas luminosas fagulhas que se espalham por todo ambiente, silenciosamente.

Acervo da autora (2024)
Para citar o texto: ACCIOLY, A. (2024) Exercício de domingo. Em: www.alineaccioly.com.br
