Lua azul

Andressa gostava do aroma de laranja e do gosto de levedura da cerveja quando pedia sua favorita, a Blue Moon. Enquanto bebia um pouco da lua azul, esquecia de sua solidão vivida em Chicago, numa visita a trabalho. Um dia antes havia participado da maior parada do orgulho lgbt do mundo, que acontecia anualmente nas ruas da California. Saiu correndo, feliz, e quase perdeu o vôo para o trabalho, na mesma madrugada.

No bar, bebendo pedaços de sua lua azul, mal parecia a mulher que emergira um dia antes nas avenidas estadunidenses. Trajada como a lésbica que experimentava ser, havia se permitido correr, dançar, pular, beijar, esquecer. Tinha se autorizado a viver o que parecia impossível no dia a dia de sua vida. Mas depois do vôo alcançado às pressas, transformou-se novamente na mulher comum a qual estava tão bem acostumada a ser. Cinderela contemporânea. Tinha apenas a lua azul como testemunha.

Para citar o texto: ACCIOLY, A. (2024) Lua azul. Em: www.alineaccioly.com.br

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